Quase toda empresa tem um computador com um programa que ninguém lembra de onde veio. O Office instalado por um técnico anos atrás, o Windows que veio "liberado" na máquina comprada usada, o editor de PDF baixado por alguém do financeiro. Enquanto nada acontece, parece economia. Quando chega uma notificação de auditoria, vira passivo.
Este artigo explica o que a lei diz, como as verificações costumam acontecer e, principalmente, como sair dessa situação de forma organizada.
O que diz a lei brasileira
A proteção do software no Brasil é regulada pela Lei nº 9.609/1998, a Lei do Software, combinada com a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998). Na prática, programa de computador é tratado como obra protegida: usar uma cópia sem a licença correspondente é violação de direito autoral.
O artigo 12 da Lei do Software prevê pena de detenção de seis meses a dois anos, ou multa, para quem violar direitos de autor de programa de computador. Quando a reprodução tem fim comercial, a pena sobe para reclusão de um a quatro anos, além de multa.
Além da esfera criminal, existe a esfera civil: o titular do software pode cobrar indenização, e a conta costuma ser bem maior do que o valor que a empresa teria pago pelas licenças corretas.
Como a irregularidade aparece
A maior parte das empresas não é pega por acaso. Os caminhos mais comuns são três:
- Auditoria do fabricante. Os contratos de licenciamento preveem o direito de verificar o uso. A empresa recebe um pedido formal para informar o que tem instalado.
- Denúncia. Ex-funcionário insatisfeito ou concorrente aciona entidades do setor de software, que podem levar o caso adiante.
- Due diligence. Em fusão, aquisição ou entrada de investidor, o comprador quer saber se há passivo escondido, e software irregular entra na lista.
Em todos os casos, quem não tem inventário e notas de compra fica sem defesa.
Os riscos que vão além da multa
O risco jurídico é o mais lembrado, mas não é o único.
1. Segurança
Programa pirata ou "ativado" por ferramenta de terceiros é uma das portas de entrada mais comuns para malware. Ele também não recebe atualizações de segurança de forma confiável, o que deixa falhas conhecidas abertas.
2. Suporte
Sem licença válida, não há suporte do fabricante. Quando algo quebra, a empresa depende de soluções improvisadas.
3. Reputação e contratos
Clientes grandes e órgãos públicos pedem cada vez mais comprovação de conformidade de TI. Uma irregularidade descoberta pode custar um contrato.
Passo a passo para regularizar
Regularizar não precisa ser um evento traumático. O caminho que funciona é este:
- Faça o inventário. Levante cada computador, servidor e usuário, com os programas instalados e a versão. Ferramentas de gestão de ativos automatizam boa parte disso.
- Separe o que é necessário do que é sobra. Muito programa instalado não é usado por ninguém e pode simplesmente ser removido.
- Confronte com as notas de compra. Para cada programa que fica, verifique se existe licença comprovável. O que não tiver comprovação entra na lista de regularização.
- Escolha o modelo de licença. Para o pacote Office, a assinatura do Microsoft 365 costuma resolver de uma vez a questão dos aplicativos, do e-mail e do armazenamento. Para Windows Server e SQL Server, a análise é mais detalhada.
- Compre por canal oficial. Licença de origem duvidosa, vendida muito abaixo do preço, é um problema adiado. Compre por parceiro autorizado e guarde a documentação.
- Implante uma rotina. Defina quem pode instalar programas, revise o inventário a cada trimestre e mantenha as notas organizadas.
E se a notificação já chegou?
Se a empresa já recebeu um pedido de auditoria, o primeiro movimento é não responder no impulso. Organize o inventário, envolva o jurídico e, se possível, um parceiro de licenciamento que conheça o processo. Responder com dados incompletos ou contraditórios piora a negociação.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica. Em caso de notificação formal, consulte um advogado.
Licença em dia como parte da gestão
Tratar licenciamento como item de gestão, e não como gasto a ser evitado, muda a conversa. A empresa passa a saber quanto gasta, onde gasta e o que pode cortar com segurança. Em muitos casos, a regularização vem acompanhada de redução de custo, porque o inventário revela licenças pagas e não usadas em outro lugar.
A Advanced4u é parceira Microsoft (LSP e CSP) e conduz o processo completo, do inventário à compra e à gestão contínua. Conheça a solução em Licenciamento e Office 365.
Quer ajuda com isso na sua empresa?
Fale com um especialista da Advanced4u. A primeira conversa é para entender o seu cenário.
Falar com um especialista no WhatsApp