Quando se fala em LGPD, muita empresa pensa primeiro em política de privacidade e aviso de cookies no site. São itens importantes, mas a maior parte da proteção dos dados pessoais acontece em outro lugar: nos sistemas, nas contas de acesso, nos backups e nos computadores da equipe. Ou seja, na TI.
Este artigo resume o que a lei pede e quais controles práticos a equipe de tecnologia precisa garantir.
O que a lei pede da tecnologia
A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) traz, no artigo 46, a obrigação de adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas, capazes de proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão.
O artigo 48 trata dos incidentes: quando acontece um incidente de segurança que possa gerar risco ou dano relevante aos titulares, a empresa deve comunicar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e os titulares afetados. O Regulamento de Comunicação de Incidente de Segurança, aprovado pela Resolução CD/ANPD nº 15/2024, estabelece prazo de três dias úteis para essa comunicação, contados a partir do conhecimento do incidente.
As sanções do artigo 52 incluem advertência, publicização da infração, bloqueio ou eliminação dos dados e multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração.
Os controles que fazem diferença
1. Gestão de identidade e acesso
A maior parte dos incidentes começa com uma credencial roubada. Os controles básicos são:
- Autenticação multifator para todos, começando por administradores e e-mail.
- Acesso mínimo necessário: cada pessoa acessa só o que precisa para trabalhar.
- Desligamento no mesmo dia: quando alguém sai, as contas são bloqueadas imediatamente.
- Contas de administrador separadas das contas de uso diário.
2. Proteção dos equipamentos
Notebook perdido com dados de clientes é incidente. Criptografia de disco, bloqueio de tela, antivírus atualizado e a possibilidade de apagar remotamente um equipamento perdido reduzem muito o risco. Ferramentas como o Microsoft Intune, incluído no Microsoft 365 Business Premium, permitem gerenciar isso de forma centralizada.
3. Atualizações em dia
Sistema desatualizado é falha conhecida esperando ser explorada. Defina uma rotina de atualização de sistemas operacionais, aplicativos e servidores, com prazo para correções críticas.
4. Backup e recuperação
A perda ou indisponibilidade de dados também é incidente. Backup com cópia isolada e testes de restauração são parte da segurança exigida pela lei.
5. Registro e monitoramento
Saber quem acessou o quê e quando é essencial para investigar um incidente e para cumprir o prazo de comunicação com informações corretas. Ative e guarde os registros de auditoria dos principais sistemas.
6. Classificação e descarte
Identificar onde estão os dados pessoais, quem acessa e por quanto tempo eles precisam ser guardados ajuda a reduzir a exposição. Dado que não precisa mais existir é risco sem benefício.
Prepare-se para o dia do incidente
Três dias úteis passam rápido. Ter um plano escrito antes do problema faz toda a diferença:
- Quem decide: os responsáveis por avaliar e comunicar o incidente, incluindo o encarregado de dados.
- Como investigar: quais registros consultar e quem tem acesso a eles.
- Como comunicar: modelos de comunicação para a ANPD e para os titulares.
- Como conter e recuperar: passos para isolar sistemas, trocar credenciais e restaurar dados.
O que costuma dar errado
- Tratar LGPD só como documento. Política bonita sem controle técnico não protege ninguém.
- Planilhas com dados pessoais circulando por e-mail. Uma das fontes mais comuns de vazamento.
- Fornecedores sem cláusula de segurança. Quem trata dados em nome da empresa também precisa proteger.
- Nenhum registro de acesso. Sem logs, a empresa não consegue nem dizer o que aconteceu.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica especializada.
Segurança como rotina
A adequação à LGPD não é um projeto com data para acabar, é uma rotina de controles revisados periodicamente. A Advanced4u ajuda empresas a implantar esses controles no ambiente Microsoft 365 e na nuvem, com licenciamento adequado e configuração de segurança. Saiba mais em Licenciamento e Office 365.
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